Na noite em que vi o Filme O Agente Secreto ser consagrado com o Globo de Ouro, chorei. Chorei porque a memória venceu. Porque entre tantas narrativas de ficção e fantasia, venceu o tempo… esse agente invisível que tudo leva, mas que a arte ousa guardar.
O filme fala de lembranças, mas fala também de escolhas: o que apagamos e o que decidimos preservar. E, ao vê-lo aclamado mundialmente, entendi que todos nós que nos dedicamos à memória, em museus, casas de cultura, arquivos vivos, estamos também neste palco. Somos agentes de um tempo que se recusa a morrer.
O Museu que fundei, que hoje pertence à comunidade, à cidade, à história, é feito disso: de objetos, de histórias e de silêncios cheios de vozes. Cada peça ali é um fragmento de vida, um sussurro do passado, um eco do que fomos e do que ainda somos. E quando o mundo inteiro celebra a memória em um filme, eu sinto que também estão celebrando dona Auta, Seu Severino, Fabião, o vaqueiro, o rádio de pilha, a cruz branca do menino, o casarão desbotado… e todas as narrativas que repousam em Boa Hora.
A arte confirma o que sempre acreditei: preservar é um ato político, poético e profundamente humano. E quando alguém atravessa os portões do Museu com o coração aberto, não sai o mesmo… porque quem visita o passado, transforma o futuro com aquilo que Dona Auta sempre chamou de testemunha de tudo… O TEMPO!
E eu sigo aqui, com a mesma emoção de quando vi o filme vencer, protegendo o que não pode ser esquecido: A memória!
CLEUDIA BEZERRA PACHECO


